sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Ser mãe hoje em dia

Deste que eu entrei para o universo materno, tenho lido muito sobre o assunto e compartilhado as minhas experiências das mais diversas formas e numa noite dessas perdi o sono e fiquei pensando em como seria se eu tivesse sido mãe na "época" da minha mãe. Gostaria de ter conversado com ela sobre esse assunto, mas infelizmente, ela se foi antes da Malu nascer... Escrevo esse post, então, baseada na minha visão sobre a experiência dela. Espero que ela me perdoe se eu escrever alguma mentira.

Quando eu nasci, a minha mãe tinha 23 anos e isso foi em 1974. Além de mim, ela teve mais três filhos, meninos...

Nós nascemos de parto normal em ambiente hospitalar e ela sempre falava deles com muita tranquilidade porque teve a sorte de ter tido partos sem dor ou sofrimento...

A minha mãe amamentou pouco... Lembro dela contando que teve dificuldades para amamentar e, só quando o mais novo nasceu, prematuro de 7 meses, ela teve algum apoio e amamentou até os 6 meses... Mas nunca senti nenhuma culpa nela por isso. 

A minha mãe usou fraldas de pano... Fraldas descartáveis eram caras e só eram usadas para sair... Nem sei se quando eu nasci já existiam fraldas descartáveis... kkkkk

A minha mãe nunca carregou um filho num sling, fez shantala, deu banho de balde, fez cama compartilhada...

A minha mãe não conheceu as redes sociais, não fez parte de grupos de mães virtuais, não foi blogueira, mas compartilhou as suas experiências com as amigas e ensinou o que sabia à outras mães menos experientes...

A minha mãe não viveu o dilema "babá x escolinha" porque abriu mão da vida profissional para dedicar-se à família, mas eu nunca a vi se queixando disso...

A minha mãe não leu livros sobre educação, não conheceu técnicas e teorias, não tinha toda a informação que eu tenho, mas, junto com o meu pai, criou 4 filhos e estaria ajudando a criar a neta com muita sabedoria, se Deus tivesse permitido. Foi sempre uma mãe presente e dedicada. 

E eu?

Eu fui mãe aos 38 anos de idade, em 2011. Tive a Malu de parto cesária, por minha vontade (repito mais uma vez que não me arrependo da minha escolha e não me culpo por isso). Como eu já contei aqui,  o nascimento da minha filha foi o momento mais feliz da minha vida.

Amamentei por 1 ano e 2 meses, quando a Malu decidiu que não queria mais.

Não me adaptei ao sling, fiz shantala algumas vezes, dei banho de balde poucas vezes, não fiz cama compartilhada.

Faço parte de grupos de mães no facebook, participo de fóruns na internet, tenho esse blog, tudo isso porque tenho paixão por compartilhar a minha experiência e aprender com outras mães.

Voltei ao trabalho quando a minha filha tinha 8 meses, e junto com o pai dela, optei pela escola. Já me culpei por isso, hoje não me culpo mais.

Li muitos livros e revistas especializadas, joguei alguns livros no lixo, não leio mais revistas (porque não conheço nenhuma que seja realmente boa), mas ainda pesquiso muito na internet.

E o que existe de negativo nisso tudo?

Estamos sendo bombardeadas de tanta informação sobre a maternidade que não sabemos o que fazer com elas. Vivemos em busca da perfeição, não só como mães, mas como mulheres! Queremos ser boas profissionais, boas esposas, boas mães, estar em forma e andar na moda, estar por dentro de todos os assuntos. Queremos educar nossos filhos dentro das teorias mais atuais. Nos cobramos e nos culpamos quando algo não sai como o esperado. 

Somos racionais demais e esquecemos do nosso instinto. Precisamos aceitar que não somos perfeitas e viver a maternidade com mais leveza. Ando pensando muito nisso nos últimos tempos. Vou tentar me espelhar mais na minha mãe, que pode nunca ter parado para pensar nisso, até porque tinha uma rotina difícil cuidando da casa e de 4 crianças, mas que fez o seu melhor e me ensinou muitas coisas. 

Mãe, este post é uma homenagem para você. Muito obrigada por tudo. Quanta saudade!

Minha mãe e eu








7 comentários:

  1. Lindo seu post e muito verdadeiro, penso como vc, temos tantas informações atualmente que vivemos como robôs seguindo modinhas e esquecemos de seguir nossos instintos.
    Por isso também tenho me policiado por aqui pra tentar levar minha vida e minha maternidade com mais naturalidade possivel e fazendo as coisas que que acredito, não oque a sociedade me impõe fazer.
    Bjs
    Carlah Ventura - Intensa Vida

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Carlah
      Que bom que encontrei outras mães com essa mesma visão! Eu já estava achando que estava meio maluca! kkkk
      Beijos!

      Excluir
  2. Nossa Lu, como me identifiquei com seu texto...ando tão triste sabe, tanta cobrança, e as coisas não saem como "deveriam" sair, e a culpa corroí a gente, a ponto de desestabilizar nosso emocional e físico...mas, vamos tentar seguir a leveza de ser mãe, de viver, senão iremos enlouquecer...

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Renata
      Nós precisamos nos libertar dessa culpa. Precisamos aceitar que não somos perfeitas, mas tentamos fazer o melhor para nossos filhos. Eles crescem tão rápido, se perdermos tempo nos culpando, vamos perder momentos preciosos!
      Beijos e obrigada!

      Excluir
  3. adorei seu texto e ainda mais a foto com a sua mae... mt legal... "aceite seu filho como ela é e nao como vc gostaria q ele fosse", li em algum lugar... e dá certo! a gente se liberta das amarras dos "Deveres de mãe da atualidade"... a duvida q nao quer calar é: q livros jogou no lixo? kkkkkkkkkkkk

    ResponderExcluir
  4. Oi, Samanta.
    Gostei muito do que você disse, são amarras da atualidade mesmo!
    Na verdade, joguei no lixo um só, o Nana Nenê. Mas outros, entre eles o da Encantadora de Bebês, não joguei fora, mas deixei na estante e nunca mais li. kkkkk
    Beijos e obrigada pela visita e comentário.

    ResponderExcluir
  5. Nossa lu como estou dodoi, de cama me sobra mais tempo para leitura e estou me atualizando no seu blog e me deparei com este lindo textoe me senti mais aliviada por tirar o dia e folga pois desde q leon nasceu me cobro muito profissionalmente e realmente hj em ia somos refem da modernidade e nos esquecemos da simplicidade e da intuição. Lindo texto.

    ResponderExcluir

Muito obrigada pelo seu comentário!
Eu respondo por aqui. Volte para dar uma olhadinha na resposta.
Se precisar de uma reposta mais urgente, mande um e-mail lucianawinck@hotmail.com
Beijos!