segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

A cura da alergia alimentar

Neste Natal, Papai Noel não precisava me dar nada de presente! Isso porque tudo o que eu mais desejava veio um pouco antes do Natal: a cura da alergia à proteína do leite da Malu.

Deixa eu contar como foi... Depois da consulta com o alergista, do Prick-Test negativo para leite e do TPO sem reações, a Malu foi liberada para beber leite, consumir alimentos feitos com leite e derivados.

Eu planejei uma reintrodução gradativa, oferecendo primeiro alimentos assados feitos com leite (bolos e biscoitos), depois derivados e, por último, leite in natura. Testando cada tipo de alimento por bastante tempo.

Mas, na prática, não aconteceu bem assim, os alimentos foram testados conforme apareciam as oportunidades... Percebi também que era necessário liberar o consumo de bolos e biscoitos feitos com leite na escola, porque como ela faz as refeições por lá, eu não conseguia oferecer em casa.

Uma dúvida que surgiu quando comecei a reintrodução, era se devia contar para a Malu o que estava acontecendo, porque nós sempre conversamos muito com ela. Mas, depois de eu trocar ideias com outras mães de alérgicos, eu e o papai conversamos e decidimos fazer um teste "às cegas", ou seja, não falar nada para ela.  Achamos melhor assim para evitar que ela ficasse confusa ou que rejeitasse os alimentos e ainda temendo uma possível reação que nos fizesse voltar a dieta de restrição. 

Nos primeiros dias, ela ainda fazia a clássica pergunta: "tem leite, mamãe"? E nós dizíamos que não tinha leite. Mas, aos poucos, parece que ela percebeu que alguma coisa tinha mudado... Talvez por não estarmos mais tão atentos ao que ela comia e nem enchendo a cabeça dela com as recomendações sobre não comer nada que não fosse dela. Logo começou a demonstrar mais curiosidade com os alimentos, principalmente, nos supermercados e padarias, o que antes não acontecia, e deixou de perguntar sobre o leite. 

Além dos biscoitos e bolos, outros testes foram acontecendo... Um bombom oferecido como sobremesa num churrasco, um salgadinho com queijo num batizado, um danoninho na casa da madrinha... até que chegarmos ao pão de queijo da padaria, o brigadeiro do café do shopping, o sorvete, a pizza com queijo! E, graças a Deus, nenhuma reação! A não ser a alegria estampada no rostinho dela cada vez que experimentava algo diferente ou que comia o mesmo que todos os demais. 

Mas nem tudo foi tranquilo... Com um pouco mais 30 dias de testes, um aumento da secreção nasal e crises de tosse, me fizeram pensar em uma reação alérgica. Mas iniciamos um tratamento para rinite alérgica e os sintomas foram embora, graças a Deus!

Eu precisei também enfrentar o medo e a resistência que eu criei ao leite de vaca (depois de tudo o que eu li, tenho certeza que leite de vaca é para bezerro e foi um grande erro o homem começar a consumí-lo). No início, eu me sentia como se estivesse dando veneno para a Malu! Mas como não podia exigir que ela continuasse em restrição, optei por continuar evitando o leite nas receitas em casa, até por conta da minha intolerância à lactose, mas liberar o consumo de alguns derivados e fora de casa, em ocasiões especiais.

Na verdade, como ela já está com mais de 3 anos e meio, com hábitos alimentares e paladar praticamente formados, ela nem gosta de alguns alimentos, principalmente doces. Também não gostou de queijo e não toma leite nem com achocolatado. Mas em compensação, se apaixonou por pão de queijo!

Ah, se você me perguntar porque eu demorei tanto para contar essa novidade, eu te digo: eu estava morrendo de vontade de publicar aqui no blog, mas achei melhor esperar um pouco e ver se tudo dava certo mesmo... Mas agora, com quase 3 meses de testes (considerando que a Malu era alérgica mediada), não acredito que possam haver novas reações.

Enfim, a cura chegou! Confesso que eu tentava não pensar muito em quando esse dia iria chegar, mas claro, nunca deixei de desejá-lo.

Eu gostaria que toda mãe que tem um filho alérgico pudesse experimentar essa sensação de leveza que vem com a cura.

Imagem da internet
É essa a sensação que eu tenho: de uma vida mais leve! Com menos preocupação, menos trabalho e algumas pequenas alegrias, antes esquecidas, como tomar um café no shopping ou comprar um pão de queijo na padaria. 

Nesse momento, eu tenho vontade de escrever tanta coisa, mas não posso deixar de agradecer:
  • Em primeiro lugar, a Deus, por ter me dado forças para superar as dificuldades, e saúde para a minha filha, apesar da alergia. 
  • Pela parceria do meu marido, que mesmo achando que eu era um pouco exagerada, sempre respeitou as minhas opiniões com relação à alergia e me ajudou nos cuidados. 
  • Pela compreensão dos meus familiares e amigos, que pacientemente ouviram as minhas explicações sobre alergia (lembrem-se sempre que não existe alergia à lactose, viu?) e foram cobaias das minhas receitas. 
  • Por ter me tornado uma mãe melhor, mais dedicada, mais esforçada e ciente da força que uma mãe tem quando precisa defender a sua cria. 
  • Por tudo o que eu aprendi sobre alergia alimentar e a culinária sem leite.
  • Pelas amizades que fiz nos grupos virtuais de mães, fontes de apoio, colo e informação.
Preciso dizer também, que mesmo com a cura, eu vou continuar sendo uma mãe APLV e desejando um mundo melhor para famílias que enfrentam a alergia alimentar:
  • Com mais pesquisas sobre as alergias alimentares e seus possíveis tratamentos. 
  • Com mais profissionais de saúde mais qualificados para diagnosticar e tratar a alergia.
  • Com mais informações chegando à população, para que as pessoas conheçam, respeitem e auxiliem na inclusão dos alérgicos. 
  • Com informações claras e verdadeiras nos rótulos dos alimentos (Conheça o movimento Põe no Rótulo https://www.facebook.com/poenorotulo?fref=ts ).
Por fim, para as mães e pais que estão nessa caminhada, o que tenho a dizer é que tentem tirar o foco da alergia e levar a vida o mais leve possível. Que não pensem muito em quando a cura vai chegar, mas que mantenham a fé, pois um dia ela chega!

Aqui alguns registros desta nova fase:


O primeiro pão de queijo
  
Sorvete com as amiguinhas
O primeiro sorvete de casquinha de lanchonete
Brigadeiro do café do shopping

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Receita: Sorvetes caseiros

Você sabia que o sorvete é um dos 10 piores alimentos para o ser humano ? Não sabia? Leia aqui.

Pois é, nos sorvetes industrializados, além da gordura vegetal e do açúcar em excesso, são adicionados corantes, saborizantes, conservantes e outros "antes" nada saudáveis. 

Além disso, a maioria absoluta dos sorvetes do mercado possuí leite, para a tristeza de alérgicos e intolerantes.

E, eu que amo sorvete, me tornei obcecada por receitas dessa sobremesa que não contenham leite e sejam mais saudáveis. Testei duas receitas que ficaram ótimas e foram super aprovadas pela Malu.

A primeira um sorvete de banana e morangos, super natureba e deliciosa!

Ingredientes:
3 bananas picadas e congeladas
1 bandeja de morangos lavados e sem as folhas (podem ser congelados ou não, eu usei congelados)
100 ml de leite de coco ou outro leite vegetal
açúcar demerada a gosto (coloque umas 3 colheres, bata, prove e se achar necessário coloque mais)

O modo de preparo é muito simples:
Coloque todos os ingredientes no processador (ou liquidificador), bata por alguns minutos e leve ao freezer. 
Se desejar um sorvete mais cremoso, tire do congelador após 3 horas e bata com a batedeira por mais 5 minutos. 

Frutas no processador
O sorvete pronto
A segunda receita é um sorvete de chocolate.

300 ml de leite de coco
100 ml de água
3 colheres de chocolate em pó
açúcar demerara a gosto
2 colheres de chá de emulsificante (opcional)

Modo de preparo:
Bata no liquidificador todos os ingredientes, exceto o emulsificante. Leve ao congelador por 4h a 6 h.
Depois que ele estiver gelado, quebre em pequenos cubos e bata na batedeira com o emulsificante por cerca de 8 minutos ou até ficar com uma consistência de sorvete de massa.  Volte ao congelador.
Retire alguns minutos antes de servir.

Coloquei granulado para fazer uma graça
Se você tiver uma sorveteira caseira, pode usar também. Eu, comprei uma, mas não me acertei com muito ela até hoje.


* Use sempre produtos da sua confiança e que você tenha informações sobre os alergênicos. Em caso de dúvidas, consulte o SAC.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Alergia à ácaros

Como eu contei nesse post aqui, no último Prick-test que a Malu fez, descobrimos que ela tem alergia moderada à ácaros, lembram?

Perto da APLV, essa alergia nem me assusta tanto, eu mesma convivo bem com ela desde que me conheço por gente, mas são necessários alguns cuidados para evitar as crises, já que os sintomas são bem desagradáveis. 

Eu costumo ter espirros, coriza ou congestão nasal. Já a Malu, apresenta aumento da secreção nasal (que não saí, fica dentro do nariz) e tosse. 

Para entender um pouco melhor: Qual a relação dos ácaros com a alergia? 

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 30% da população mundial sofre com algum tipo de alergia. A rinite, a sinusite e a asma são as alergias que lideram o ranking das alergias respiratórias. Na maioria dos casos, em torno de 80%, estas reações são causadas pelos ácaros, pequenos aracnídeos que habitam um lugar que poucos imaginam: nossa casa, mais especificamente nossa cama.

Os ácaros são bichinhos microscópicos, que são vistos apenas com a ajuda de aparelhos. Estes parasitas se alimentam do resto da pele humana, e por este motivo nossos colchões e travesseiros representam um banquete para eles. Uma pessoa “produz” e “descama” cerca de 1,2 gramas de pele por dia e este número é suficiente para alimentar cerca de 100.000 ácaros.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, pense em seu travesseiro: o alergista Clóvis Galvão alerta que, em apenas dois anos de uso, um terço do peso do seu travesseiro é formado por ácaros.

No entanto, não é apenas em nossas camas que eles podem viver e se reproduzir. Todo ambiente quente, úmido e escuro pode servir de habitat para os ácaros, bem como os bichinhos de pelúcia, os tapetes e carpetes e também as cortinas.
 
Informações extraídas daqui.

No dia 06 de maio de 2013, o Programa Bem Estar apresentou uma excelente matéria dedicada às alergias respiratórias e seu maior causador: os ácaros. Não deixe de assistir.
 
O alergista da Malu passou algumas orientações para evitar a alergia à poeira da casa, constituída por ácaros, fungos, restos de insetos e epitélios de animais.
  1. O piso da casa, e do quarto em especial, deve ser de um material fácil de limpar e devem ser limpos diariamente com um pano úmido (não levanta o pó).
  2. Os tapetes e, principalmente, os carpetes devem ser evitados.
  3. Evitar excesso de enfeites ou objetos como almofadas, plantas, bonecas, livros, móbiles, que dificultem a limpeza. Guarde livros e brinquedos em armários fechados. Dê preferência aos brinquedos fáceis de limpar e evite os de pelúcia. 
  4. Limpe frequentemente com pano úmido todas as superfícies do quarto que possam acumular pó, como mesas, estantes, prateleiras, molduras de quadros e, principalmente, em cima de guarda-roupa e armários. 
  5. As cortinas e/ou persianas devem ser lavadas a cada 2 ou 3 semanas.
  6. Cobertores e roupas que ficam guardadas longo tempo devem ser lavadas (idealmente com água quente) previamente ao uso.
  7. O colchão e o travesseiro devem ter uma capa impermeável totalmente vedada que possa ser limpa semanalmente.
  8. Deixe o quarto bem ventilado e ensolarado. Se houver mofo nas paredes, limpe o local com solução de hipoclorito de sódio (1 litro de água + 3 colheres de sopa de água sanitária).
  9. Se houver muitos insetos, principalmente baratas, faça uma desinsetização periódica  (evitando o ambiente por alguns dias).
  10. É importante evitar os poluentes, principalmente fumo e inseticidas de tomada
  11. Evite animais em casa. Se não for possível, não permita o seu acesso ao quarto da pessoa alérgica.
A maioria desses cuidados com a casa, eu já costumava fazer, em virtude da minha alergia. Limpo a casa somente com aspirador de pó e pano úmido, nunca uso vassoura. Quase não temos tapetes, almofadas e enfeites pela casa. Eu lavo periodicamente todos os brinquedos, principalmente, os bichos de pelúcia, bem como as cortinas e roupas de cama. Nunca uso uma roupa que esteja a muito tempo guardada.

No quarto da Malu, trocamos o inseticida de tomada com veneno por um ultrassônico (disponível na Loja Alergoshop) e colocamos capa impermeável no colchão e travesseiro.

Então, é isso... Deixamos de nos preocupar com a alergia alimentar e passamos a cuidar da respiratória.